PSIQUIATRIA

O bio-psico-social assume uma cada vez maior importância na obtenção de um estado de saúde pleno. Atentos a esta realidade, contamos com uma equipa de psiquiatria capaz de dar resposta aos mais diversificados quadros clínicos.

A Psiquiatria enquanto especialidade médica não se confina ao estudo da loucura ou da doença mental. É antes um ramo da ciência, essencial para o tratamento de perturbações do desenvolvimento, da geriatria (alterações neuro-degenerativas e demências próprias do aumento da esperança de vida) e da inadaptação à perturbação afectiva, no comportamento adicto, na reposta ao acidente traumático e ao stress que a vida hoje proporciona. Em virtude das novas tecnologias, surge a oportunidade de uma abordagem mais precisa e segura recorrendo a técnicas de imagiologia, registros poligráficos, técnicas psicométricas e avaliação neuropsicológica. Alicerçados nos mais recentes conhecimentos científicos, os técnicos médicos, psicólogos e enfermeiros que constituem as diversas equipas terapêuticas, proporcionam uma multiplicidade de apoios e tratamentos, contribuindo com sucesso para o bem estar individual e colectivo.

Libertos do “velho” estigma da consulta de psiquiatria, esta converteu-se nos dias de hoje num passo essencial para o alcance do bem-estar.

O que á a Electroconvulsivoterapia Modificada E.C.T.M.?
É uma técnica de tratamento médico sob anestesia que visa a estimulação eléctrica cerebral.

Em que situações se utiliza?
A electroconvulsivoterapia é utilizada em:
– Situações clínicas em que é necessária uma resposta rápida ao tratamento, dado o risco de vida (ex.: situações em que o doente não consegue alimentar-se ou hidratar-se, ou quando existe elevado risco de suicídio);
– Quando a utilização de medicamentos não é a melhor escolha (ex.: durante a gravidez);
– Situações de falta de eficácia dos medicamentos (ex.: depressão resistente à medicação)
Estas situações surgem frequentemente em alguns Quadros Depressivos, na Perturbação Bipolar (episódios maníacos e depressivos sem resposta ao tratamento) e na Esquizofrenia. Nos quadro clínicos de Catatonia ou Depressão Psicótica, pode ser usada como primeira opção de tratamento. Existem outras situações em que a electroconvulsivoterapia também pode ser usada, Doença de Parkinson, Dor Crónica não Oncológica, Fibromialgia e Síndrome Maligno dos Neurolépticos.

Como se realiza a E.C.T.M.?
Antes da sua realização da sessão de electroconvulsivoterapia o doente é avaliado pelo médico anestesista, para conhecer a sua situação de saúde em geral. Todos os procedimentos são explicados ao doente, duração do tratamento e o número de sessões previstas (frequentemente entre 6-10). O doente tem a oportunidade de esclarecer as suas dúvidas e terá de assinar um documento em que dá o seu consentimento informado, tal como acontece antes de qualquer procedimento cirúrgico. Para a realização da cada sessão de electroconvulsivoterapia o doente tem de estar em jejum. Com a devida privacidade e condições médicas, o doente é deitado e é-lhe colocado soro. Será no sistema do soro que o anestésico e o relaxante muscular serão administrados, de forma a causar sonolência e relaxamento dos seus músculos. Durante todo o tratamento serão monitorizados os valores de tensão arterial, saturação de oxigénio, eletrocardiograma, eletroencefalograma (avaliação da atividade elétrica do cérebro), pulsação e frequência respiratória. Enquanto estiver adormecido, a sua respiração será assistida com oxigénio.
Através de elétrodos colocados no couro cabeludo serão aplicadas pequenas correntes eléctricas que estimularão o cérebro. A utilização das correntes eléctricas provoca uma descarga elétrica cerebral, observada através do eletroencefalograma. O doente não vai sentir nada e quando acorda encontra-se na enfermaria de recobro acompanhado de enfermeiros e de médicos, onde deverá permanecer de uma a duas horas em observação. Durante este período será avaliado a frequência cardíaca, a tensão arterial, o eletrocardiograma, os movimentos respiratórios e a saturação de oxigénio. Após este período de observação o doente regressa a casa ou ao serviço de internamento, caso se encontre internado.

Como é que a estimulação do cérebro através de correntes elétricas corrigem os sintomas psiquiátricos?
A corrente eléctrica vai provocar a estimulação do cérebro do doente, nomeadamente dos centros que controlam o pensamento, o humor, o apetite e o sono, levando a alterações químicas cerebrais. Desta forma permite o controlo dos sintomas e a recuperação da doença.

Durante o tratamento sente-se dor?
Contrariamente ao que é mostrado em vários filmes e séries televisivas, a electroconvulsivoterapia é um processo indolor.
O doente não tem dor!

Quais são os riscos?
Esta técnica é uma das técnicas médicas realizadas com anestesia mais segura. Os doentes com problemas cardíacos poderão ter maior risco, no entanto podem ser tomadas precauções, tal como a monitorização cardíaca e aconselhamento de um cardiologista. Raramente poderão surgir dores de cabeça e dos músculos, após a realização de cada sessão de E.C.T.M. A memória para factos recentes poderá ficar alterada. Em geral, a pessoa recupera ao fim de alguns dias ou semanas, mais raramente ao fim de meses. Não tem efeitos a longo prazo na sua memória ou na sua inteligência.

Posso morrer por causa da electroconvulsivoterapia?
A mortalidade e morbilidade deste tratamento são muito baixas, sendo equiparável ao risco de ser submetido a uma pequena cirurgia. Estudos recentes apontam valores de mortalidade na ordem de 1/100.000.

Posso conduzir depois de cada sessão?
É desaconselhada a condução de viaturas no dia do tratamento, dadas as alterações dos reflexos e da memória temporárias. É por isso obrigatório que o doente venha acompanhado para a realização do tratamento por ECTM.

Porque existe tanta controvérsia sobre a ECTM?
Alguns movimentos defenderam durante anos que as doenças psiquiátricas não existiam, e que representavam apenas a manifestação de formas de Ser ou Estar no mundo menos comuns ou mais afastadas do que era socialmente aceite. Estes diziam que a ECTM era uma prática brutal. Na década de 80, os órgãos de comunicação social e a indústria cinematográfica contribuíram também para divulgar a ECTM como uma prática desumana, contribuindo para a criação de uma visão negativa deste tipo de tratamento na sociedade. O desenvolvimento do conhecimento sobre as doenças mentais, a par do desenvolvimento de novas tecnologias, permitem hoje reconhecer esta técnica como segura, eficaz e capaz de fornecer melhores condições de vida para os doentes, com o controlo mais rápido dos sintomas, uma recuperação e reintegração mais célere na vida activa. Este tratamento é considerado um dos tratamentos mais eficazes e seguros para várias doenças psiquiátricas.

Onde posso ler mais sobre Electroconvulsivoterapia?
ADEB Royal College of Psychiatrists – American Psychiatry association

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