ANGIOLOGIA E CIRURGIA VASCULAR

Já todos ouvimos falar de varizes, aneurismas, flebite, trombose,… mas será que alguma vez pensámos sobre o que está na origem destes problemas? E que soluções existem?

A Angiologia e Cirurgia Vascular é a especialidade que trata as doenças circulatórias que atingem as artérias, as veias e os vasos linfáticos, quando surgem infecções, dilatações, obstruções. A actividade mais conhecida desta especialidade médico-cirúrgica é, sem dúvida, a esclerose (secagem) e a cirurgia das varizes dos membros inferiores. Muitos conhecerão também o termo “by-pass” que identifica as operações que corrigem a obstrução das artérias.
Mas o âmbito desta especialidade é bem mais amplo, tento tido nos últimos dez anos uma evolução impressionante, quer nas técnicas de tratamento médico-cirúrgico, quer nos meios de diagnóstico. As técnicas cirúrgicas endovasculares para correcção dos aneurismas arteriais (EVAR), das oclusões arteriais (Stent), das varizes dos membros inferiores por Laser (EVLA), são disso um exemplo. Estas técnicas caracterizam-se por uma sofisticação de meios e métodos extremamente exigente, cuja execução com segurança obriga a uma actuação em grupo, com competências individuais muito específicas.
Na CSB, os Cirurgiões Vasculares estão constituídos em equipas, capazes de executar com segurança as técnicas tradicionais, por vezes insubstituíveis em determinados doentes, bem como as mais modernas e sofisticadas, também mercê das excelentes condições da Instituição no Bloco Operatório, na Unidade de Cuidados Intensivos e nos Meios Complementares de Diagnóstico.
Na CSB, tanto na Consulta Externa, como no Serviço de Urgência e também no Internamento, terá sempre um Cirurgião Vascular disponível.

PERGUNTAS FREQUENTES

A cirurgia clássica é, ainda hoje, um dos métodos mais utilizados para tratamento de varizes, em especial na presença de varizes superficiais, em condições clínicas e anatómicas específicas. É igualmente uma terapêutica auxiliar nas técnicas mais avançadas e minimamente invasivas para o tratamento de varizes, tal como a Radiofrequência, o Laser e a Cola biológica.

É, contudo, importante referir que, à semelhança da evolução tecnológica no tratamento não cirúrgico de varizes, a cirurgia clássica é hoje realizada recorrendo a gestos, materiais e fármacos específicos que a tornam também minimamente invasiva, permitindo uma recuperação rápida e resultados estéticos máximos.

A esclerose, ou secagem de varizes, como é designada mais frequentemente, é atualmente uma das técnicas mais utilizadas para tratamento de varizes, sobretudo nos pequenos raios ou derrames na pele. Recorrendo a uma substância específica na forma líquida ou na inovadora formação de espuma, através de uma microinjeção no trajeto varicoso, a secagem de varizes permite criar uma inflamação controlada do vaso, originando a sua reabsorção definitiva. São normalmente necessárias várias microinjeções por sessão, realizadas no consultório, para garantir ótimos resultados.
O efeito inflamatório prolonga-se entre 6 a 8 semanas, razão pela qual os tratamentos devem ser realizados, preferencialmente, no período de outono e até à primavera, diminuindo o risco de pigmentação associada à exposição solar.

A escleroterapia origina uma reação local na variz que permite a sua reabsorção permanente e definitiva. O aparecimento de novos raios ou derrames é uma realidade. No entanto, isso acontece devido à doença venosa em causa, mas nunca nas mesmas varizes já tratadas. Importa, assim, referir que a doença venosa é uma doença crónica e evolutiva, na qual a vigilância e cuidados permanentes são essenciais no resultado clínico e estético futuro, evitando o agravamento rápido da doença.

A esclerose, ou secagem de varizes, é um tratamento realizado com intervalo médio de 2 a 4 semanas entre sessões, dependendo do grau de doença e do tipo de tratamento. Dessa forma, o número de tratamentos dependerá, igualmente, da evolução e da complexidade da doença, sendo altamente recomendável o inicio terapêutico o mais cedo possível.

O tempo de recuperação é praticamente inexistente. Pode iniciar a atividade diária normal logo após terminar a sessão, sendo, contudo, recomendável o uso de meia elástica compressiva, em média, durante 7-14 dias, conforme conselho do seu médico especialista.

Radiofrequência e Laser são inovadoras técnicas endovasculares de tratamento de troncos varicosos, de que são exemplos a veia grande e a pequena safena. Permitem, por uma milimétrica incisão, bloquear ou ocluir a referida veia, através de método térmico a quente, evitando a sua remoção e as complicações associadas, como as hemorragias e os hematomas. Aquelas técnicas permitem, ainda, resultados estéticos máximos e uma rápida recuperação, em média, 3 a 5 dias, o que faz com que sejam hoje técnicas especializadas de eleição no tratamento de varizes.

O melhor tratamento para as suas varizes depende de várias condicionantes clínicas e anatómicas, sendo fundamental a avaliação médica especializada. Após a avaliação clínica inicial, é, normalmente, realizado um pormenorizado estudo anatómico, por ecografia, através do qual são tiradas conclusões sobre o prognóstico e o melhor tratamento para cada doente. As técnicas minimamente invasivas, como Radiofrequência e Laser, em terapêutica única, ou combinada com outros métodos, permitem, neste momento, o tratamento de mais de 90% dos doentes, com óbvias vantagens estéticas e com rápida recuperação.

Radiofrequência e Laser, sendo atualmente técnicas minimamente invasivas e de eleição no tratamento de varizes, permitem uma recuperação rápida e segura, não necessitando de repouso absoluto. São técnicas que permitem, em múltiplas situações, que se possa realizar o tratamento, sem necessitar de internamento, podendo ter alta no próprio dia.

Após uma intervenção por Radiofrequência ou Laser, são fornecidas indicações, nesse momento, para terem início pequenas caminhadas no domicilio, recomendando-se apenas alguns períodos intermitentes de repouso nos primeiros 3 a 5 dias. Após esse período inicial, será aumentada progressivamente a carga diária, sendo expectável uma atividade normal ao fim de 7 a 10 dias, dependendo do grau inicial de doença.

A doença venosa, apesar de não ser o único fator responsável pelas tromboflebites e tromboses venosas profundas, é reconhecida como um importante fator de risco. Sintomas de dor e calor progressivo, no inicio, em especial se apresentar uma zona de varizes com inflamação e dor à palpação do local, são indicadores quase exclusivos de uma tromboflebite. Mais grave, ainda, é a trombose venosa profunda, responsável por cerca de 90% das embolias pulmonares com riscos significativos de vida, caraterizada por dor, coloração arroxeada e inchaço súbito da perna, sem causa aparente.

Pelos riscos de trombose profunda e tromboflebite da perna, assim como a natureza progressiva da doença venosa, recomendamos a avaliação, despiste e tratamento das suas varizes, o mais cedo possível.

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