Higiene oral, higiene nasal, higiene salivar:

a saníssima trindade

Higiene oral

A placa bacteriana (biofilme dentário) é uma película formada pela mistura da saliva, das bactérias intra-orais e dos restos alimentares que permanecem na boca após uma refeição. A placa bacteriana forma-se e acumula-se nas superfícies dos dentes, no sulco gengival (transição entre o dente e a gengiva) e na língua (onde existem mais de 90% das bactérias da boca). O objectivo da higiene oral é, então, a remoção e o controlo da placa bacteriana.

A higiene oral constitui a principal forma de prevenção dos dois mais frequentes problemas estomatológicos: a cárie e a periodontite (inflamação crónica da gengiva, também conhecida por “piorreia”). Se deixadas evoluir, quer a cárie quer a periodontite acabarão por obrigar à extração de dentes. E a perda de dentes, com a alteração na mastigação, também condiciona a salivação, pela ausência de estimulação das glândulas salivares.

A língua é o órgão do gosto ou paladar. É na língua que existem as papilas gustativas, as estruturas com as quais as moléculas resultantes da fragmentação dos alimentos contactam, por forma a existir a consciência do sabor. Na língua, sobretudo no dorso, a acumulação de placa bacteriana pode originar alterações do gosto (disgeusia) e, com isso, comprometer a salivação. Por outro lado, alterações da saliva influenciam a capacidade de sentir o gosto.

Higiene nasal

As vias aéreas superiores incluem as cavidades (ou fossas) nasais, os seios peri-nasais (ou para-nasais) e a naso-faringe (ou rino-faringe). As cavidades nasais correspondem ao interior do nariz; os seios peri-nasais são um conjunto de cavidades aéreas da face; e a naso-faringe é a porção mais superior da garganta (onde estão as adenóides). Estas regiões comunicam entre si. A higiene nasal visa, assim, a limpeza destas três zonas.

A higiene nasal não tem como único objectivo uma melhor respiração ou o controlo de problemas inflamatórios (ou outros). A higiene nasal permite o desimpedimento dos receptores do olfacto, localizados na mucosa da porção mais superior das cavidades nasais. É pelo contacto das moléculas suspensas no ar com estes receptores que se origina o impulso nervoso que, conduzido ao cérebro, dá a percepção dos cheiros.

É possível recorrer a várias técnicas para realizar a higiene nasal. Do simples assoar à lavagem com água, da instilação de soro fisiológico à pulverização com água do mar, a higiene nasal – tal como a higiene oral –deve ser realizada regular e adequadamente. O resultado é o melhor funcionamento das vias aéreas superiores, quer no respirar, quer no cheirar. E, através do sentido do olfacto, possibilitar o estímulo para a salivação.

Higiene salivar

As glândulas salivares são habitualmente classificadas segundo critérios anatómicos, de morfologia e de topografia. Nessa perspectiva, consideram-se as glândulas maiores (principais) e glândulas menores (acessórias). As primeiras existem em número par, de cada lado do corpo: a parótida, a submandibular e a sublingual; as segundas são cerca de 800 a 1000, dispersas fundamentalmente pelo interior da cavidade oral.

A estimulação das glândulas salivares ocorre, entre outros, a partir dos cinco sentidos. O aspecto, o cheiro, o sabor, a textura e mesmo o som (da fragmentação) dos alimentos exerce uma ação muito útil na capacidade de as glândulas salivares produzirem e excretarem a saliva. O processo fisiológico da salivação não só ajuda na digestão físico-química dos alimentos, mas também possibilita a limpeza dentária, gengival e lingual.

Existem três cuidados basilares de higiene das glândulas salivares, fundamentalmente das duas principais: a parótida e a submandibular. Esses três cuidados são a ingestão hídrica, a massagem glandular e a higiene oral. O primeiro possibilita a formação da saliva; o segundo facilita a saída da saliva; e o terceiro diminui a probabilidade de colonização (e de infeção) dos canais salivares pelas bactérias naturalmente existentes na boca.

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