Há vida (sexual) para além do cancro.

A Saúde Sexual define-se como a sensação de bem-estar em relação à sexualidade, nas dimensões física, emocional, mental e social, e não apenas como ausência de doença. A patologia sexual inclui problemas durante qualquer fase do ciclo de resposta sexual, com impacto negativo na qualidade de vida, e está presente em mais de 60% dos doentes submetidos a tratamentos oncológicos.

As doenças oncológicas têm um impacto enorme na vida de qualquer pessoa e, para um melhor tratamento e qualidade de vida dos doentes, devem ser abordados todos os aspetos da sua vida no tratamento, incluindo os problemas sexuais.
Apesar de mulheres e homens com cancro terem interesse em questões relacionadas com a sua sexualidade e em discuti-las com os seus profissionais de saúde, são poucos aqueles que procuram ajuda, existindo, por exemplo, estudos que reportam que 74% de sobreviventes de cancro mama referiram que gostariam que o tema da sexualidade fosse rotineiramente abordado pelos seus médicos.

Os problemas na sua saúde sexual durante ou após os tratamentos oncológicos são variados:

  • ansiedade, depressão e fadiga;
  • alterações da relação com a(o) companheira(o);
  • diminuição do desejo sexual.

Nas mulheres poderá surgir:

  • diminuição da excitação;
  • disfunção orgásmica;
  • aumento da secura vaginal;
  • dor na relação sexual;
  • diminuição da atividade sexual.

Nos homens poderá ocorrer:

  • dificuldade em iniciar ou manter uma ereção;
  • deformidades penianas;
  • disfunção orgásmica;
  • dúvidas relacionadas com fertilidade;
  • dor crónica.

O papel de uma sexualidade saudável e satisfatória nas pessoas com problemas oncológicos não deve ser subestimado e existem intervenções que podem melhorar a saúde sexual nas pessoas que vivem com e para além do cancro. Uma vez identificado o problema, existem diversas abordagens que permitem uma melhoria na saúde vulvovaginal, peniana, assim como na intimidade do casal e na vida sexual. Referimo-nos a abordagens como:
aconselhamento psicossexual e exercícios físicos podem melhorar a função e satisfação sexual;
hidratantes e lubrificantes vaginais, bem como dilatadores e exercícios do pavimento pélvico para melhoria dos sintomas genitais;
terapias hormonais e não hormonais para a sintomatologia vasomotora;
tratamentos para disfunção erétil.

Lembre-se de que os problemas na saúde sexual podem afetar negativamente a qualidade de vida da mulher e do homem. Não hesite em pedir ajuda ou tirar dúvidas com a sua equipa da Clínica de Medicina Sexual da Casa de Saúde da Boavista.

Bibliografia
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